Música

A persistência da violência contra as mulheres

Como de costume, utilizo as propostas de redações do Enem para a produção textual dos alunos e o tema de 2015 foi uma ótima escolha e teve uma repercussão sensacional na mídia. Foi assunto para muitos dias. Quem lembra qual foi o tema? A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. 

As feministas de plantão conseguiram realizar no dia da prova uma manifestação referente a liberdade das mulheres, muitas redações com cunho feminista e muitos depoimentos de agressões nos textos. 

Gosto muito de utilizar a música e fui em busca de algumas que retratassem a questão da violência contra a mulher e a primeira que me encantou foi a I’,m ok da Christina Aguilera, apesar de fugir do foco do Brasil, a letra é perfeita e tocou meu coração, afinal uma garotinha que presencia o seu pai violentar sua mãe, sentindo medo até de voltar para casa, é triste demais. A infância é o momento mais mágico da vida, onde a maior parte do tempo é ou deveria ser de alegria e brincadeira. Além da linda voz da cantora, o som ao fundo, já emociona. Mas será mesmo que fugi do foco ao escolher esta música? Apesar dela não ser brasileira, faz parte da realidade de muitas meninas do nosso país. É lamentável saber que por aí, existem muitas meninas em uma situação semelhante ou até pior.

Música: I’m Ok – Christina Aguilera. Fonte: Youtube

Para comentar sobre a Lei Maria da Penha escolhi duas músicas: Maria da Penha (Alcione) e Maria da Vila Matilde (Elza Soares). Ambas incentivam as mulheres a denunciarem a agressão e a não se intimidarem pelos agressores e tomar uma decisão. 

Por que será que muitas mulheres não denunciam? Por que a violência contra a mulher persiste na sociedade brasileira? Aliás, a palavra chave da redação era persistência. Não era para escrever sobre os tipos de agressão, ou da lei, mas sim porque apesar de ter uma lei, campanhas de conscientização, a violência contra as mulheres persiste em nosso país. Uma das respostas é: o medo! Além da já terem sofrido agressão física, psicológica e até sexual, a mulher se sente acuada, com medo de delatar e ter consequências, porque apesar da Lei Maria da Penha estar em vigor desde setembro de 2006, ainda é necessário melhorias, precisa ser mais ágil, mais efetiva. Esse também pode ser um dos motivos de nem todos os processos serem julgados, porque devido a pressão, a vítima acaba desistindo de continuar. 

Com as pesquisas sobre o assunto fiquei perplexa com tantos casos e que muitas crianças estão envolvidas. Percebi o quanto eu estava alheia a situação, e tenho certeza que o Brasil tem muito o que fazer para mudar essa situação. É necessário mais campanhas de conscientização, é importante nas escolas, em casa, mídia, falarem sobre o assunto, incentivar a denúncia, mostrar que a violência só trás sofrimento, ensinar as crianças e jovens que homens e mulheres tem direitos iguais e que isso não tem nada a ver com feminismo, tem a ver com humanidade, ao bater em uma mulher, está sendo violentado o direito humano dela. Falamos tanto em Direitos Humanos para os criminosos (quem lembra de BOPE?) e esquecemos que violentar uma mulher também interfere neste direito.

Uma aluna indicou a música Milagres do Marcello Gugu. Eu não o conhecia, mas confesso: virei fã. A letra é fantástica, sem contar que tem várias referências históricas. Acho quase impossível não se emocionar, eu chorei! Foi nesse  instante que tive certeza que a questão da violência contra a mulher não é uma luta feminista, mas uma luta humanitária, que não tem que ser só das mulheres, mas de todos! Vale a pena assistir o vídeo! Fazia tempo que uma música me tocava dessa forma, acho que foi a mesma sensação de quando terminei de ler As vantagens de ser invisível (retrata um pouco sobre o abuso sexual): foi tão emocionante e muito além do que eu imaginava! 

Fiquei surpresa com as aulas, com a interação com os alunos e acredito que tenha sido um momento de reflexão para todos!

Alguns alunos contribuíram com vídeos relacionados ao tema, que deixo aqui para vocês:

Ele bate nela, Simone e Simaria
Vídeo Violência contra a mulher
A persistência da violência contra a mulher: A falta de valores Liberais

 

Fonte: Humortadela
Fonte: Humortadela
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